sexta-feira, 19 de março de 2010

Simplicidade

Escrevo para a VIDA SIMPLES todos os meses há mais de sete anos e esta é a primeira vez que abordo o tema da simplicidade como foco de meu artigo. Já escrevi sobre como simplificar a vida no trabalho, como construir relações descomplicadas, como ser simples na comunicação, mas, nesses casos, o tema central era outro – o trabalho, as relações, o diálogo –, e a simplicidade era o adjetivo, uma espécie de coadjuvante de luxo, como um ator consagrado que faz uma participação especial em um filme.
Desta vez é diferente, a simplicidade assume o papel de protagonista; é o núcleo, e os fatos da vida passam a gravitar em torno dela como os elétrons de um átomo. E eis que surge o primeiro dilema existencial do texto: será possível dar à simplicidade o posto de termo essencial da oração, o núcleo do sujeito, que pode receber complementos, mas que já existe por si só? Pois eu acredito que sim, que a simplicidade pode até ganhar a dimensão de uma fi- losofia, e, especialmente em nosso mundo complicado, pode apontar para o estilo de vida que almejamos cada vez que sentimos o peso da complexidade apertando nosso peito como a mão de um gigante mau e implacável.
Felizmente existe a ideia da simplicidade, e esta é, digamos, simples desde sua origem. A palavra é formada por duas outras de origem latina: sin, que significa único, um só, e plex, que quer dizer dobra. Ser simples significa ter uma só dobra, ao contrário do complexo, que tem várias. Imagine uma folha de papel na qual está escrita uma mensagem. Quem a escreveu dobrou a folha uma única vez e a entregou para você, que em um gesto único a abre e lê seu conteúdo. Simples!
Agora pense nessa mesma folha dobrada várias vezes, como um origami (mas sem a beleza da arte japonesa), apenas um monte de dobras que denotam a preocupação do autor em esconder o conteúdo da mensagem. Você precisará, nesse caso, dedicar-se a desfazer as dobraduras, uma a uma, até abrir a folha, que deverá, então, ser alisada, antes de expor seu conteúdo. Pois assim é a vida em todas as suas dimensões. Pode ter uma dobra generosa ou ter várias dobras desconfiadas.
Simplificar significa, então, facilitar o acesso ao que interessa, ao conteúdo dos fatos da vida, das coisas que usamos e das mensagens que queremos passar. Isso explica tudo. Aliás, a palavra explicar significa exatamente “tirar as dobras”, alisar a folha que contém nossas ideias. Só explica quem quer simplificar. Quem não quer, complica.
Simplificar significa evitar a complexidade e criar uma vida sem mistérios? Há uma diferença fundamental entre ser simples e ser simplório. Os simples resolvem a complexidade, os simplórios a evitam. Eu conheço pessoas sofisticadas, intelectualizadas, que levam uma vida plena, realizam trabalhos difíceis, apreciam leituras profundas e têm hábitos peculiares. E continuam sendo pessoas descomplicadas. Conheço também pessoas simplórias, com pouca profundidade, que realizam trabalhos repetitivos, que têm poucas ambições, que apreciam rotinas e evitam os sustos de uma vida aventurosa. E mesmo assim são pessoas complicadas, para elas tudo é muito difícil, em geral impossível.
Não, ser simples não significa evitar o complexo, abrir mão da sofisticação, negar a profundidade, contentar-se com o trivial. Ser simples significa olhar com olhos plácidos a esfinge da complexidade e decifrá-la muito antes de correr o risco de ser por ela devorado.
Simplificar significa facilitar o acesso ao que interessa e às mensagens que queremos passar
Há pouco assisti a um vídeo sobre a vida de Picasso, em que ele aparece desenhando a pomba que se tornaria o símbolo adotado pelo Congresso da Paz de Paris. É inacreditável como ele fez aquele desenho, tão simbólico, com tamanha facilidade. Um traço leve e lá estava a pomba com seu ramo de oliveira. Simples como a paz.
O artista nos mostrou isso através de sua genialidade, só que esta foi desenvolvida a partir de longas horas de estudo e dedicação. Antes de ser simples, Pablo Picasso foi complexo, estudou anatomia humana, desvendou Cézanne, deformou faces, criou o cubismo, aprofundou-se em arte africana. Ou seja, levou tempo para fazer coisas simples. Aliás, foi ele mesmo que disse que “leva-se muito tempo para ser jovem”, atribuindo à leveza da juventude a maturidade de ser descomplicado.
Não há um paradoxo em construir uma vida simples em meio à vida moderna, cada vez mais exigente? Hiroshi criou a Ecovila Clareando, uma comunidade autossustentável no interior de São Paulo que atrai gente comprometida com a natureza e com seus valores, como a sustentabilidade, sem a ingenuidade das “sociedades alternativas” de antigamente, mas tendo a simplicidade como filosofia. Ele planta e produz praticamente tudo o que precisa para se alimentar, domina as técnicas de construção ecológica e de produção de energia limpa. Mas não é um isolado, viaja, participa de congressos, dá palestras, toca violão, compõe músicas. E é alegre em tempo integral.
Goldberg é professor da New York University, onde faz pesquisas sobre o cérebro humano, e consegue falar sobre seu funcionamento de maneira compreensível. Escreveu alguns livros, entre eles O Paradoxo da Sabedoria, em que afirma que, apesar do envelhecimento do cérebro, a mente pode manter-se jovem. Seus textos são o melhor exemplo de como se pode simplificar o complexo, pois são sobre neurofisiologia, mas qualquer um entende.
Ele é simples também em sua vida pessoal. Mora a uma quadra do Central Park, e seu consultório é do outro lado da rua. Tem um mastim napolitano chamado Brit que o acompanha por onde vai, e, russo de nascimento, adora comer caviar, que ele consegue bem baratinho no importador, que é seu conterrâneo. O cientista é uma ilha de simplicidade em um mar de complexidade.
Eu não poderia imaginar vidas mais diferentes e, ao mesmo tempo, mais parecidas. O diferente fica por conta do ambiente, o semelhante por conta da postura de vida. Ambos carregam uma leveza própria das pessoas que decidiram não complicar, sem abrir mão de seus desejos, projetos, objetos, pequenos luxos, enfim, da vida normal. Pessoas assim, que fazem a opção da simplicidade, têm alguns traços comuns. Identifico cinco deles:
• São desapegadas: não acumulam coisas, fazem uso racional de suas posses, doam o que não vão usar mais.
• São assertivas: vão direto ao ponto com naturalidade, mesmo que seja para dizer não, sem medo de decepcionar, não “enrolam” nem sofisticam o vocabulário desnecessariamente.
• Enxergam beleza em tudo: em uma flor no campo e em um quadro de Renoir; em uma modinha de viola e em uma sinfonia de Mahler; em um pastel de feira e na alta gastronomia.
• Têm bom humor: são capazes de rir de si mesmas e, mesmo diante das dificuldades, fazem comentários engraçados, reduzindo os problemas à dimensão do trivial.
• São honestas: consideram a verdade acima de tudo, pois ela é sempre simples e, ainda que possa ser dura, é a maneira mais segura de se relacionar com o mundo.
Ser simples, definitivamente, não é abrir mão de nada. É possível apreciar o conforto, a sofisticação intelectual, as artes, o prazer da culinária, a aventura das viagens e continuar sendo simples.
Pois ser simples não é contentar-se apenas com o mínimo para manter-se fisicamente vivo, uma vez que não somos só corpo, também somos imaginação, intelecto, sensibilidade e alma. E esta última é, sim, simples, mas não é pequena, a não ser, é claro, que a pessoa queira. Nesse caso, não há mesmo então o que fazer.
Fonte: Abril - Vida Simples - Por Eugenio Mussak

quarta-feira, 17 de março de 2010

Laser: A medicina da luz

Metade de todos os procedimentos médicos, das mais diversas especialidades, tem como primeira indicação esse feixe de luz concentrada. E as pesquisas
mostram que seu uso pode se ampliar para muitos outros campos.

O mundo, do jeito como o conhecemos hoje, seria impossível sem o uso do laser. Esse feixe de luz concentrada é imprescindível na transmissão de dados pela internet e no sistema de telefonia. Quando ouvimos um CD ou assistimos a um DVD, lá está ele, transformando ondas eletromagnéticas em sons e imagens. Graças ao laser, as filas nos supermercados e bancos andam mais rapidamente - os códigos de barras são interpretados por ele. É essa luz, ainda, que dá exatidão milimétrica à mira dos mísseis lançados pelos navios, aviões e tanques de guerra; mantém os trens alinhados sobre os trilhos; permite a medição dos poluentes atmosféricos... "Com suas múltiplas funções, o laser é, sem dúvida, a invenção mais impactante do mundo moderno", diz o físico Nilson Dias Vieira Junior, superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). Há uma área do conhecimento humano, no entanto, em que a revolução provocada pelo laser, ainda que grandiosa, ocorre de maneira silenciosa, quase imperceptível para a maioria das pessoas. Na medicina, ele corta (com muita precisão e pouco sangue) músculos, pele e ossos. Monitora o crescimento de tumores e os faz evaporar. Substitui medicamentos no tratamento de doenças crônicas, como artrite reumatoide e asma. Estimula a renovação celular e pode ser capaz até de diagnosticar lesões na retina. Dentro da medicina, ainda, há outra área em que o laser é um bálsamo, sobretudo agora, no verão. Na dermatologia, além de remover as manchas de pele e as linhas de expressão, a luz corta literalmente o mal pela raiz, ao danificar os bulbos capilares e impedir o nascimento e o crescimento de pelos indesejáveis. Na temporada de corpos à mostra, não ter de se preocupar com a depilação e exibir as pernas lisinhas o tempo todo é (quase) um milagre.


MÚLTIPLAS FUNÇÕES
Conforme sua matéria-prima, potência e forma de emissão, o laser pode ser usado em muitos procedimentos médicos - da remoção de manchas na pele à destruição de alguns tumores

O primeiro aparelho de laser foi criado em 1960 pelo físico americano Theodore Maiman (1927-2007). Seu objetivo era desenvolver uma fonte de energia para ser usada em experiências de laboratório (veja o quadro). O laser é a única fonte de luz que se propaga de forma organizada, em uma mesma direção, por meio de ondas de comprimento idêntico. Tais características o tornam um emissor de grandes quantidades de energia e de fácil manipulação. Em 1961, por obra da curiosidade de um oftalmologista pelas novas tecnologias, o laser foi usado fora de um laboratório de pesquisa. Charles Campbell (1926-2007), do Instituto de Oftalmologia do Centro Médico Presbiteriano da Columbia, nos Estados Unidos, utilizou-o para eliminar um tumor maligno da retina de um paciente. Desde os anos 50, os médicos empregavam a luz solar para queimar lesões na retina. Com uma lente, eles convergiam os raios de sol diretamente para o olho do doente. Ainda que o laser seja 1 septilhão de vezes mais forte, ele provocava menos efeitos colaterais, como queimaduras. Isso porque, ao contrário da energia solar, é mais controlável e direcionável. As operações de Campbell foram consideradas revolucionárias e, assim, a nova técnica começou a ser testada nos diversos campos médicos. Mas o grande impacto do laser na medicina só viria na década de 90, com a difusão dos aparelhos por pulsos. A emissão passou a ser feita, por exemplo, por meio de microtiros, o que permitiu o uso de potências elevadas em procedimentos delicados ou superficiais. De lá para cá, o laser tornou-se a primeira opção para nada menos do que 50% de todos os procedimentos médicos - o dobro em relação há vinte anos.


DOR NUNCA MAIS
Antes de ser submetido ao tratamento a laser para se livrar de um cálculo renal, o engenheiro Marcelo Pachalian, de 39 anos, recorreu ao método convencional, o ultrassom. As ondas de som, porém, não conseguiram destruir inteiramente a pedra de 0,9 centímetro de diâmetro. No processo natural de expulsão do cálculo, pela uretra, o engenheiro teve de ser levado às pressas para o hospital por causa de dores terríveis. A pedra, então, foi pulverizada pelo laser e expelida sem sofrimento

Nenhuma área da medicina foi tão beneficiada pelo aperfeiçoamento do laser quanto a dermatologia. Ele é a principal indicação para 95% das terapias antienvelhecimento - da remoção de manchas ao aumento da produção de colágeno, a fibra responsável pela firmeza e elasticidade da pele. Na década de 80, o laser era utilizado em apenas 40% dos casos, sobretudo nas peles profundamente marcadas pelo tempo. "Nessa fase, eu não me atreveria a usar o laser em pacientes com menos de 40 anos", diz Adilson Costa, dermatologista da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. "As marcas do tratamento - vermelhidão e queimaduras - eram tão profundas que obrigavam os pacientes a ficar em casa por até um mês." Atualmente, alguém que se submete a uma sessão de laser, não importa a finalidade do procedimento, pode sair do consultório do dermatologista diretamente para o trabalho.

Todas as intervenções estéticas à base de laser consistem em danificar parte das células da área tratada, de modo a estimular a renovação celular. É nesse processo que manchas, vincos, marcas de expressão e pés de galinha desaparecem - ou são, no mínimo, bastante atenuados. É possível rejuvenescer a pele em até cinco anos, mas para isso é necessária uma aplicação por mês, durante quatro meses. Além disso, em dois anos é preciso voltar ao consultório do dermatologista. Existe, porém, um tipo de marca que o laser apaga para sempre - as cicatrizes provocadas pela acne. Até então, não havia nada que desse jeito nelas. De cremes a peelings abrasivos, vencer essas marcas era um dos maiores desafios da dermatologia estética. A empresária Gloria Varella, de 47 anos, concordou em se submeter ao tratamento quando o médico lhe garantiu que, depois das aplicações, ela não precisaria interromper suas atividades diárias. "Tive uma ótima surpresa: além de ir trabalhar no mesmo dia, ninguém notou os efeitos das aplicações", diz. Após cinco sessões, Gloria estava com o rosto lisinho.


VIDA NORMAL
Asmática, a assistente social Márcia Mascarenhas Ganen (à esq.), de 44 anos, sofria com crises terríveis de falta de ar. As bombinhas de corticoide eram usadas constantemente. Há pouco mais de um mês, ela deu início a um tratamento de controle da asma por laser. As ondas luminosas regulam as substâncias envolvidas nos processos inflamatórios. Depois da quarta aplicação, Márcia já pode deixar a bombinha em casa

Não há mulher que não sonhe com o dia em que se verá livre da depilação - poucas obrigações estéticas são tão chatas quanto ter de se submeter à cera quente ou fria de quinze em quinze dias. Pois o laser consegue matar os bulbos capilares, o nascedouro dos pelos. Depois de cinco meses de tratamento, com uma sessão por mês, os pelos praticamente desaparecem. Como a natureza dá sempre um jeito de driblar o homem, entre dois e cinco anos mais tarde, os pelos reaparecem - mas mais fracos. Para eliminá-los, é preciso fazer mais aplicações de laser - agora em sessões de manutenção, de uma a duas vezes ao ano. "Não existe tratamento de beleza mais prático e fantástico criado pela medicina do que a depilação a laser", diz a apresentadora Sabrina Sato, de 28 anos. Há três anos, ela se submeteu a três sessões de laser nas axilas. Desde então, nunca mais recorreu a lâminas descartáveis. Um ano atrás, Sabrina voltou ao dermatologista para duas aplicações de manutenção. Às loiras, um alerta: o raio laser não consegue destruir os bulbos de pelos claros.


VISÃO RECUPERADA
Três anos atrás, o aposentado Artur Martins da Silva, de 72 anos, foi acometido por um derrame na retina. Corrigiu-se o problema em meia hora graças ao laser. Extremamente preciso, o feixe de luz conseguiu cauterizar os vasos sanguíneos doentes - e Silva recuperou 40% da visão

Hoje, graças à exatidão dos cortes a laser, 95% dos pacientes deixam de usar óculos depois de uma operação de miopia. Para se ter ideia da tecnologia dos aparelhos empregados nesse tipo de cirurgia, os feixes de luz que eles emitem têm a duração de cerca de 10 femtossegundos. Um femtossegundo equivale a 1 segundo dividido em 1 quatrilhão de vezes. "Como o contato do laser com a córnea é mínimo, podemos utilizá-lo em altas temperaturas e em estruturas muito delicadas, como a córnea e a retina", diz o oftalmologista Max Damico, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Aliada ao calor intenso, a rapidez dos feixes de luz transformou o laser numa espécie de bisturi de altíssima precisão. Três anos atrás, o aposentado Artur Martins da Silva, de 72 anos, começou a apresentar uma sensação de ardência no olho esquerdo. Durante seis meses, ele prorrogou a visita ao oftalmologista. Imaginava que o desconforto fosse produto da poluição e do stress. No momento em que começou a perder a visão, Silva foi em busca de ajuda médica e descobriu ter sido vítima de uma obstrução nos vasos da retina. Submetido a uma cauterização a laser, ele recuperou 40% da visão. A cirurgia durou meia hora.


SEM MARCAS NEM CICATRIZES
Depois da quinta sessão de laser, a empresária Gloria Varella, de 47 anos, já notou a diferença: a pele de seu rosto está mais lisa, sem as manchas de gravidez e as cicatrizes de acne. "Já tinha usado tudo, de ácido retinoico a peelings agressivos. Nenhum procedimento foi tão eficaz quanto o laser", diz ela.

O alcance do laser no corpo humano vai da superfície da pele, como nos tratamentos estéticos, a órgãos e estruturas mais recônditos, como rins, ossos, coração, próstata, colo do útero e pulmões. Os feixes de luz chegam a tais regiões por meio da endoscopia, laparoscopia ou cirurgia aberta. O controle da temperatura do laser é fundamental para o sucesso de tais procedimentos, especialmente nas regiões mais vascularizadas. Quanto maior a quantidade de sangue, maior é o risco de formação de coágulos, o que pode levar à obstrução de vasos sanguíneos. No tratamento da hiperplasia benigna da próstata, um mal que atinge 14 milhões de brasileiros com mais de 50 anos, o calor emitido pelo laser tem de girar em torno dos 200 graus. O intuito nesse caso não é cauterizar o tecido prostático excedente, e sim fazê-lo evaporar.


PRÁTICO E FANTÁSTICO
A apresentadora Sabrina Sato, de 28 anos, abandonou de vez as lâminas descartáveis com três sessões de laser nas axilas, realizadas entre 2006 e 2007. No ano passado, ela voltou ao dermatologista para duas sessões de manutenção. "Não existe tratamento de beleza mais prático e fantástico já criado pela medicina do que a depilação a laser", afirma

O laser é também o único método capaz de bombardear cálculos renais, independentemente de seu volume. Uma das técnicas mais tradicionais prevê a explosão das pedras nos rins por meio de ultrassom. No entanto, os cálculos pequenos, de diâmetro inferior a 1 centímetro, na maioria das vezes, escapam à ação das ondas sonoras. À do laser, nunca. Ao reduzir as pedras renais a tamanhos microscópicos, ele livra os pacientes da dor durante o processo de eliminação pela urina do que sobrou delas. "O único inconveniente é que o procedimento exige anestesia geral, pois a passagem do endoscópio pelo ureter é dolorosa", diz Gustavo Guimarães, urologista do Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. A sedação foi o motivo que levou o engenheiro Marcelo Pachalian, de 39 anos, a recusar o laser a princípio e optar pelo ultrassom. "Tenho horror a hospital", diz ele. Não adiantou evitar. O cálculo que estava localizado no rim direito não foi destruído e poucos dias depois, com fortes dores, Pachalian voltou ao hospital. No início de dezembro, submeteu-se ao laser e a pedra foi desintegrada.

Uma das novidades mais promissoras é o laser conhecido como frio ou terapêutico, que tem 1 grau Celsius de temperatura. Ele interage com as células, fazendo com que a produção de substâncias essenciais para a saúde do organismo seja regulada. "Trata-se de um dos mecanismos mais complexos e fascinantes no tratamento de doenças e de problemas estéticos", diz Maria Cristina Chavantes, diretora do Serviço da Central Médica de Laser do Instituto do Coração, em São Paulo. O laser frio é capaz de equilibrar a produção de hormônios envolvidos nos mecanismos da analgesia e de inflamações por asma. Asmática, a assistente social Márcia Mascarenhas Ganen, de 44 anos, ficou livre das crises de falta de ar e das bombinhas de corticoides depois de quatro aplicações.

Uma das mais extraordinárias frentes de estudo ocorre na área de diagnósticos. Hoje em dia já é possível detectar algumas doenças por meio do feixe de luz, como no caso de distúrbios na retina e tumores superficiais, em especial o de pele. Tais máquinas, porém, não são precisas a ponto de conseguir substituir a biópsia. Esse é o grande objetivo de cientistas dos melhores centros de pesquisa do mundo. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e o MD Anderson, ambos nos Estados Unidos, e o Ipen, no Brasil, investigam a criação de uma tecnologia mais abrangente, que permita o diagnóstico de um leque maior de distúrbios. Sabe-se que, conforme o tipo de célula rastreada e as características do laser, a luz é absorvida de maneira diferente - os tumores malignos, por exemplo, são grandes consumidores de energia. A expectativa é que, em uma década, seja possível mapear as células humanas em todas as suas minúcias, por meio de laser em laparoscopias, endoscopias ou até mesmo por sobre a pele. Para as próximas gerações, essa será a luz no fim do túnel.


DOIS EM UM
Paciente é submetida a tratamento contra miomas uterinos em máquina que combina a precisão da ressonância magnética com a força de ondas de ultrassom

As ondas de som - ou ultrassom - também cumprem um papel relevante na medicina. Conforme a frequência em que elas são emitidas, podem ser usadas tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento de diversas doenças. Utilizado em baixa frequência, o ultrassom rastreia o organismo fornecendo informações sobre diversos órgãos, especialmente os tecidos moles, aqueles que contêm mais água. Como um sonar, ele emite ondas sonoras que, ao encontrar um órgão, recebem os ecos correspondentes. Esses ruídos são transformados em imagens por um computador e, a partir delas, os médicos elaboram o diagnóstico dos pacientes. Quando programado para frequências mais elevadas, o ultrassom ganha poder de destruição. Nessas condições, o impacto das ondas sonoras desintegra cálculos renais, miomas uterinos e tumores de próstata. Nos anos 80, foi criado um aparelho que permitiu a utilização combinada dos tipos de ondas. As mais fracas indicam a localização da estrutura a ser destruída e, em seguida, as ondas mais intensas aniquilam o alvo. É o que os médicos chamam de terapia de ondas de choque.

Nos últimos cinco anos, o ultrassom vem sendo substituído por exames de ressonância magnética, a mais avançada tecnologia no campo dos exames de imagem para tecidos moles. Os equipamentos mais modernos conseguem detectar alterações minúsculas, de apenas 0,5 milímetro de diâmetro. Há, ainda, aparelhos que combinam ressonância magnética com ultrassom de alta frequência. O primeiro deles foi desenvolvido pela empresa israelense Insightec e se chama ExAblate 2000. Por enquanto, seu uso está aprovado apenas para alguns tratamentos, como na região pélvica. Os estudos mais recentes sugerem que, em alguns casos, o novo equipamento pode vir até a substituir cirurgias abertas. Pesquisadores do Hospital Infantil da Universidade de Zurique, na Suíça, obtiveram sucesso em operações para a retirada de tumores em regiões profundas do cérebro. A meta agora é testar o procedimento em pacientes vítimas de Parkinson. Aprovado pela agência de controle de medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, o ExAblate começou a ser adquirido por instituições brasileiras. Seu preço: 1 milhão de dólares, contra os 50 000 dólares dos aparelhos de ultrassom tradicionais.


O ano zero da economia limpa
Svante Arrhenius era um desconhecido físico sueco quando, em 1896, fez um alerta: se a humanidade continuasse a emitir dióxido de carbono na atmosfera no mesmo ritmo que fazia desde a alvorada da Revolução Industrial, em 1750, a temperatura média do planeta subiria de maneira dramática, em decorrência do efeito estufa.

Pouca gente escutou o apelo de Arrhenius em seu tempo, um período sem carros, sem megalópoles, com apenas 1,2 bilhão de pessoas no mundo. Quase ninguém seguiu seu raciocínio na maior parte do século seguinte. Foi assim até que novas evidências científicas surgiram, além das catástrofes naturais. E nos anos 1960 brotou uma ideia romântica, utópica e alternativa de preservação da natureza. Ela hoje entrou na corrente principal do pensamento ocidental, ajudou a transformar os processos de produção industrial e moldou o perfil dos líderes empresariais que conduzem o capitalismo no século XXI. Há muito ainda a ser feito. Evidentemente, é um frágil equilíbrio, mas trata-se, agora, de agir já para pagar menos depois.

Um relatório produzido em 2006 pelo economista inglês Nicholas Stern, então no Banco Mundial, indica que investir imediatamente, a cada ano, 1% do PIB global pode evitar perdas de até 20% desse mesmo PIB até 2050. É informação que os líderes reunidos na COP15, em Copenhague, neste mês, tinham com nitidez. Esses números não os fizeram avançar muito, em uma cúpula que entrará para a história pelos tímidos resultados que ofereceu. Não há problema. Existe uma mensagem clara: os estados não se entendem, escorregam na burocracia e em interesses egoístas, mas a iniciativa privada saiu na frente. As empresas e a sociedade já fazem mais e melhor que os governos no combate ao aquecimento global. Eles ainda patinam para entregar sua principal - se não única - contribuição, a de definir um quadro institucional estável e favorável à livre-iniciativa, à inovação e ao empreendedorismo.


Fonte: Especial VEJA

quarta-feira, 10 de março de 2010

10 coisas que você não precisa comprar em 2010

No longo prazo, esse dinheirinho pode representar a sua aposentadoria ou a grana que você precisa para começar o plano B - montar um negócio próprio, quem sabe. O consultor financeiro Augusto Sabóia, de São Paulo, costuma dizer que basta o investidor economizar 300 reais mensais e aplicar esse dinheiro em qualquer investimento atrelado a uma taxa de juro de 0,8% ao mês para ter 1 milhão de reais ao final de 35 anos. Veja dez itens em que você pode poupar em 2010.


1 [Telefone fixo]
Quem tem mais de 40 anos certamente se lembra do tempo em que era preciso entrar na fila para conseguir uma linha de telefone fixo. Hoje, o telefone fixo é um acessório, ainda útil, mas dispensável. Em 2001, a fatia de domicílios no país com apenas o serviço de telefonia móvel representava 7,8% do total de linhas ativas. Em 2008 esse percentual saltou para 37,6%, que corresponde a 21,6 milhões de residências, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ou seja, dá para viver sem telefone fixo — e de quebra economizar uns reais. Em São Paulo, apenas para instalar a linha telefônica fixa o preço pode chegar a 114 reais e o aparelho sai, em média, por 75 reais. Uma opção mais barata é usar o Skype, um programa que permite fazer ligações telefônicas pela internet. Elas podem ser gratuitas, quando feitas entre números do próprio Skype, ou pagas, normalmente com valores bem reduzidos quando feitas para telefones fixos ou celulares. Acesse skype.com e faça o download gratuito.

2 [HD externo]
Entre os antenados em tecnologia (e os nem tão antenados assim, mas que adoram seguir os amigos trendies), adquirir um HD extra para armazenar fotos, música ou vídeos virou uma febre. O brinquedinho não é tão barato. Um HD externo básico, com 250 gigabytes, por exemplo, chega a custar entre 200 e 500 reais. Se você pode otimizar seu computador simplesmente eliminando arquivos desnecessários, para que gastar essa grana? Você pode guardar seus arquivos de fotos, vídeos e músicas nos sites DropBox e Skydrive, sem pagar nada. Acesse: dropbox.com e skydrive.live.com

3 [DVD]
Nos Estados Unidos, o DVD vem caindo em desuso. As pessoas continuam assistindo aos filmes novos, mas é cada vez mais comum comprar o filme pela TV a cabo ou baixá-lo da internet por meio de serviços como o NetFlix, a locadora virtual americana. Nos dois casos, o preço sai quase pela metade em relação ao custo de locação. Pense bem, se no ano passado você alugou quatro filmes por mês (em média, 8 reais cada um) e comprou cinco DVDs (em média, 20 reais por disco), em 2009 gastou aproximadamente 500 reais com um item em que poderia ter poupado pelo menos 50%. No Brasil, o portal Terra (terratv.terra.com.br) oferece gratuitamente 280 000 vídeos, entre seriados, filmes e transmissões esportivas inéditas. Outra opção é a locadora online NetMovies (somente para quem mora nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), que tem mais de 20 000 filmes em seu catalogo e cobra 15,90 reais por seu pacote básico, que oferece quatro filmes por mês. Ah, não há multa por atraso e a NetMovies entrega e recolhe o filme na sua casa.

4 [Todos os lançamentos]
Veja bem, ninguém está dizendo para você ler menos. Ao contrário: você pode adquirir mais livros e economizar até 50% na compra de um exemplar — se a escola do seu filho exigiu muitos livros, você vai conseguir poupar uma boa quantia. Se o que quer não é lançamento, os sebos online são uma ótima alternativa para encontrar o que você procura. Uma publicação que custa 40 reais em uma livraria é vendida online pela metade do preço. A Estante Virtual reúne 703 sebos e livreiros de 305 cidades. Acesse: estantevirtual.com.br

5 [CD]
Assim como o DVD, o CD, cujo preço médio é de 30 reais, vem se tornando um item de colecionador. Se em 2009 você comprou dez CDs singles ou seis duplos (média de 50 reais), desembolsou 300 reais sem necessidade (guarde dinheiro para as raridades que você não encontra na web). Na internet, há sites de compartilhamento de arquivos, nos quais é possível ter acesso às suas músicas preferidas. Além disso, os portais de algumas emissoras de rádio permitem baixar músicas. O Terra Sonora garante acesso gratuito a mais de 1 milhão de músicas todos os dias até as 20 horas. Há um plano que custa 24,90 reais por mês e permite downloads ilimitados de músicas. Acesse: sonora.terra.com.br e vagalume.com.br

6 [Filmadora compacta digital]
Há alguns anos, as filmadoras eram objeto de desejo. Hoje em dia, se o seu objetivo não é produzir vídeos profissionais, a filmadora pode ser substituída por uma boa câmera fotográfica digital, que sai por um terço do preço, considerando que uma filmadora digital básica custa 900 e a máquina fotográfica digital sai por 300 ou 350 reais.

7 [Combustível]
Se você tem um carro flex, que pode ser abastecido com álcool ou gasolina, faça uma conta simples para saber qual o combustível mais vantajoso. Multiplique o preço da gasolina por 0,65. Se o resultado for menor do que o preço do álcool, então vale a pena abastecer com gasolina. Se o resultado for maior, então é hora de abastecer com álcool. Para quem não tem carro flex, é preciso saber que o preço da gasolina é mais estável. Já o valor do álcool oscila de acordo com a safra e entressafra da cana-de-açúcar.

8 [Novidades]
Produtos eletroeletrônicos, de informática e roupas custam mais caro no lançamento. É que eles são substituídos por tecnologias novas ou por outra coleção em pouco tempo. Para pagar menos você deve esperar. Quem aguarda seis meses após o lançamento de um produto de informática economiza entre 20% e 25%. No caso de roupas, a economia pode chegar a 35%.

9 [Marcas líderes]
Quem compra produtos com marca própria de grandes redes pode economizar até 15%. “A diferença na qualidade das marcas líderes e alternativas diminuiu”, diz Eugênio Foganholo, diretor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, consultoria especialista em bens de consumo e varejo.

10 [Ar-condicionado]
Se você não mora no Norte ou Nordeste do país, pode poupar cerca de 1 000 reais na compra de um ar-condicionado. Saiba que existem maneiras de arejar sua casa gastando pouco. Trocar as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes, cultivar plantas dentro de casa e trocar a cortina da sala de cor escura por uma de cor clara são ajustes que vão deixar o ambiente bem mais fresquinho.

Fonte: Você S/A por Érica Martin


terça-feira, 9 de março de 2010

14 NICHOS GLOBAIS PARA VOCÊ SE INSPIRAR

Negócios diferentes de tudo o que você já viu:


1 >>> INSONES
No Canadá, a Slow Cow lançou um antienergético produzido com ingredientes desestressantes


2 >>> ALÉRGICOS A ALIMENTOS
O Allergoora é um supermercado virtual criado na França para pessoas que têm intolerância e alergia alimentar


3 >>> MASCOTES RELIGIOSOS
A Kosher Pets criou a primeira ração kasher, que obedece às leis judaicas, para cães e gatos nos Estados Unidos


4 >>> CRIANÇAS VEGETARIANAS
A americana Helen's Food produz bifes de tofu e comida pronta congelada que facilita a vida de famílias vegetarianas


5 >>> TERCEIRA IDADE ENDINHEIRADA
Na França, a marca Ekia colocou no mercado, em 2008, uma linha de cosméticos orgânicos para mulheres com mais de 60 anos


6 >>> VICIADOS EM CAFEÍNA
Nos EUA, a New Century Brewing Company lançou a Moonshot, cerveja com 69 miligramas de cafeína - o equivalente a uma xícara de café


7 >>> DIABÉTICOS
A Joseph's Lite Cookies produz uma vasta linha de biscoitos para diabéticos. Os produtos são vendidos em 42 países


8 >>> BEBÊS ORGÂNICOS
A loja virtual californiana SproutBaby.com vende refeições orgânicas para bebês desenvolvidas por um chef


9 >>> OBESOS
A Lane Bryant é uma rede americana de roupas descoladas para mulheres acima do peso. A empresa criou a primeira rede social para gordinhas


10 >>> INIMIGOS DO SOL
O Sunguard é um pó que, jogado nas roupas na hora de lavar, cria uma barreira de proteção solar nos tecidos


11 >>> QUARTA IDADE
Sem taxa de franquia e royalties, a rede americana Companion Connection Senior Care cresce com clínicas especializadas no cuidado dos mais velhos


12 >>> DEGUSTADORES
A WyneStyle, loja presente em cem cidades americanas, mira os clientes leigos ao etiquetar as garrafas de vinho com sugestões de harmonização


13 >>> SOZINHOS
Na Inglaterra, a agência Solitair vende roteiros montados para quem não tem companhia. E ainda leva os solitários para a balada


14 >>> BALADEIROS ZEN
A Temple é uma boate de São Francisco que serve drinques exóticos feitos com ingredientes orgânicos e extratos de ervas


Por Elisa Corrêa - PEGN