quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Confira 10 motivos para investir em fundos imobiliários

SÃO PAULO – O investimento em imóveis sempre foi considerado uma espécie de “porto seguro” pelos brasileiros, justamente pelo fato deste ser um bem real, que, em caso de grandes crises econômicas, não corre o risco de “virar pó”.
Entretanto, comprar imóveis com objetivo de investir esbarra em alguns entraves, como o processo burocrático de compra e venda do bem, além dos altos custos. Com os fundos imobiliários, grandes imóveis, de diversos tipos (residenciais, industriais e comerciais), ficaram mais acessíveis para o pequeno investidor.
E esta, na visão de especialistas, é apenas uma das vantagens deste tipo de aplicação. Confira, então, 10 motivos para investir em fundos imobiliários:
1 - Acesso a empreendimentos de qualidade O consultor de investimentos e criador do site “Fundo Imobiliário”, Sérgio Belleza, ressalta que os fundos imobiliários reúnem diversos investidores que, juntos, representam um volume de investimento significativo. Isso possibilita que eles adquiram participações - ou mesmo imóveis inteiros -antes inacessíveis a investidores individuais.
2 - Isenção de IR De acordo com Belleza, um dos principais pontos favoráveis para o investimento em fundos imobiliário é a isenção de IR (Imposto de Renda) sobre os rendimentos. Ele ressalta, entretanto, que é preciso seguir as seguintes condições:
O cotista beneficiado tem de ter menos do que 10% das cotas do fundo;
O fundo tem de ter, no mínimo, 50 cotistas;
As cotas do fundo têm de ser negociadas exclusivamente em Bolsa ou mercado de balcão organizado.
Entretanto, no caso de ganho de capital com a venda de cotas, a tributação é feita normalmente, à alíquota de 20%.
3 - Acesso a inquilinos ou atividades de primeira linha Outra vantagem para o investidor é o fato de os inquilinos serem, muitas vezes, grandes empresas, de renome no mercado – uma garantia a mais de que não haverá inadimplência no pagamento do aluguel.
“Os fundos imobiliários brasileiros são proprietários de grandes shopping centers (ex.: Shopping Higienópolis, Dom Pedro, ABC Plaza, etc.), empreendimentos dentre os melhores do país no setor varejista, além de possuírem imóveis locados a inquilinos de excelente qualidade, caso, por exemplo, da Petrobras, no Fundo Torre Almirante, ou do Banco do Brasil, no BB Progressivo”, diz Belleza.
4 - Praticidade A praticidade é outro ponto que pesa a favor dos fundos imobiliários. “Para se vender um imóvel, por menor que seja, há necessidade de obter uma série de certidões, anuência do cônjuge, além de custos caros de corretagem, cartório, num processo moroso e caro”, aponta Belleza.
Já as cotas dos Fundos Imobiliários que são alvo dos investidores pessoa física são negociadas na Bovespa. “A negociação é rápida (uma vez fechado negócio, o vendedor recebe seu dinheiro em D+3, ou seja, no 3º dia útil após o dia da venda) e sem qualquer burocracia, desde que as cotas estejam depositadas junto à corretora de valores que representa o vendedor”, diz Belleza.
5 - Diversificação do portfólio de imóveis A diversificação do portfólio de imóveis também é um ponto que pesa a favor dos fundos imobiliários, na opinião do diretor-geral no Brasil da gestora de fundos imobiliários Selecta, José Macedo. “Comprando cotas de um fundo imobiliário, o investidor consegue ter acesso a uma carteira de ativos que individualmente seria muito difícil adquirir - escritórios em regiões centrais da cidade, galpões em locais importantes, participação em shoppings centers”, aponta.
6 - Taxa de juros em queda Com a tendência de queda da Selic (taxa básica de juro), o executivo da Selecta aponta que os fundos de investimentos imobiliários se tornam uma boa oportunidade para os investidores, já que a rentabilidade proporcionada por eles não sofre impactos com esta queda. “De um modo geral, os fundos proporcionam uma renda maior do que a Selic. E, se ela diminui, a rentabilidade dos fundos não é afetada”, afirma Macedo.
7 - Acesso de investidores de qualquer porte O criador do site “Fundo Imobiliário” também lembra que esses fundos possuem cotas de valores bastante acessíveis - alguns lançamentos aceitaram investimentos iniciais a partir de R$ 1 mil. “Desde pequenos poupadores até grandes fundos de pensão ou fundos internacionais têm acesso a este mercado”, afirma Belleza.
8 - Fracionamento Caso o proprietário de um imóvel precise utilizar parte dos recursos, ele não poderá vender só uma parte do imóvel. “Com cotas de um fundo imobiliário, basta vender somente o montante necessário”, ressalta Belleza.
Por outro lado, ele lembra que o investidor que receber a renda do fundo imobiliário e não necessitar destes recursos pode comprar mais cotas deste fundo ou de outro; com imóveis, da forma tradicional, isto não é possível.
9 - Transparência O especialista também aponta que a negociação das cotas em um mercado como o da BM&FBovespa traz segurança e transparência para o investidor. Isso porque todos os agentes envolvidos têm a informação do que está ocorrendo e acesso às ofertas de compra e venda.
 
10 - Gestores profissionais De acordo com Belleza, outro ponto favorável é que você vai delegar a administração dos imóveis para gestores profissionais, com grande experiência nesse tipo de atividade. “Essa missão é desempenhada por profissionais do mercado, fiscalizados e sob a responsabilidade de uma instituição financeira administradora”, ressalta.


Fonte:     InfoMoney

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Megatendências que vão transformar o mundo

A Frost & Sullivan define as megatendências como elementos que impactam significativamente a sociedade, diferentes indústrias e empresas. Elas são chave para construir o futuro, viabilizar processos de inovação e mudar a produção e o planejamento de tecnologias. Abaixo, veja algumas das 36 megatendências que vão pautar a sociedade até 2020.

Urbanização: migração para as cidades vai impactar na mobilidade, no trabalho e nas sociedades.
Cidades e infraestruturas inteligentes: eficiência energética e eliminação de emissões de gases prejudiciais serão a premissa básica dessas iniciativas.

Geração Y: comportamento desse grupo vai influenciar desenvolvimento de produtos, tecnologia e estratégias de marketing.
Mulheres ganham espaço: cerca de 25 das 500 empresas que fazem parte da lista Fortune Global serão lideradas por mulheres. Elas terão mais decisões no desenvolvimento dos negócios.
Força da classe média: crescimento desse segmento da sociedade terá impacto em serviços e produtos e no poder de compra.
Geo-socialização: a próxima plataforma de rede social vai contar com serviços geográficos mudando a forma de interação entre as pessoas.
Novas economias emergentes: México, Argentina, Polônia, Egito, África do Sul, Turquia, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Irã serão os motores do crescimento econômico.
Terceirização: ganhará novos destinos como América Latina e Ásia Central.
Zonas de comércio: acordos, especialmente na Ásia, África e América Latina, deverão aumentar desenvolvimento e plataformas de comércio eletrônico.
Nuvens inteligentes: deverão sanar problemas específicos, integradas à infraestrutura existente de empresas.
Satélites: cerca de 900 novos estão navegando com sistemas que comportam tecnologias como machine to machine.
Mundo virtual: vai governar o mundo na educação, saúde, negócios e relações pessoais. Avatares vão simular vida real e interagir com vida virtual.
Robôs: tecnologia robótica e inteligência artificial vão ajudar na manufatura, serviços militares, segurança e transporte.
Eletrônicos: 3D HDTV, controle de vídeo por meio da mente são exemplos de tecnologias que estarão no mercado.
Tecnologias inovadoras: as emergentes serão observadas nas áreas de nanomateriais, lasers e materiais inteligentes.
Infraestrutura, energia, água e transporte: 41 bilhões de dólares serão destinados para essas áreas, resultando em melhoria na eficiência.
Fábricas do futuro: inteligentes e verdes, elas vão operar sem intervenção humana.
Saúde: com medicamentos mais inteligentes, hospital virtual, cyber doutores, indústria passará por mudança radical.
Energia: energias renováveis e energia nuclear vão responder por mais de um terço da geração até 2020.
Mobilidade: evolução da tecnologia vai acelerar interação entre mundo físico e virtual por meio de interconexões entre dispositivos móveis, sensores e máquinas.
Por   Déborah Oliveira, da Computerworld

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A era do Administrador

Por que os Estados Unidos são o país mais bem-sucedido do mundo?   Porque são um país que resolveu o problema da miséria e da estagnação econômica, ao contrário do Brasil?   O segredo americano, e que você jamais encontrará em nenhum livro de economia, é que os Estados Unidos são um país bem administrado, um país administrado por profissionais. Dezenove por cento dos graduados de universidades americanas são formados em administração. Administração é a profissão mais freqüente, e portanto a que dá o tom ao resto da nação. Infelizmente, o Brasil nunca foi bem administrado. Sempre fomos administrados por profissionais de outras áreas, desde nossas empresas até o governo.

Até recentemente, tínhamos somente quatro cursos de pós-graduação em administração, um absurdo! De 1832 a 1964 a profissão mais freqüente no Brasil era a de advogado, e foi essa a profissão que exerceu a maior influência no país, tanto que nos deu a maioria de nossos presidentes até 1964. A revolução de 1964 acabou com a era do advogado e a legalidade, e tivemos a era do economista, que perdura até hoje. Nos próximos dez anos isso lentamente mudará. O Brasil já tem 2.300 cursos de administração, contra 350 em 1994. Estamos logo depois dos Estados Unidos e da Índia.

Administração já é hoje a profissão mais freqüente deste país, com 18% dos formandos. Antes, nossos gênios escolhiam medicina, direito e engenharia. Agora escolhem medicina, administração e direito, nessa ordem. Há dez anos tínhamos apenas 200.000 administradores, e só 5% das empresas contavam com um profissional para tocá-las. O resto era dirigido por "empresários" que aprendiam administração no tapa.

Por isso, até hoje 50% das empresas brasileiras quebram nos dois primeiros anos e metade de nosso capital inicial vira pó. O que o aumento da participação dos administradores na gestão das empresas significará para o Brasil? Uma nova era muito promissora. Finalmente seremos administrados por profissionais, e não por amadores. Daqui para a frente, 75% das empresas não quebrarão nos primeiros quatro anos de vida, e nossos investimentos gerarão empregos, e não falências. Em 2010, teremos 2 milhões de administradores formados, e se cada um empregar vinte pessoas haverá 40 milhões de empregos novos. Será o fim da exclusão social.

Administradores nunca foram ouvidos por políticos e deputados nem concorriam a cargos públicos. Em 2010, é muito provável que teremos nosso primeiro presidente da República formado em administração. Por incrível que pareça, nunca tivemos um executivo no Executivo.

Muitos de nossos ministros e governantes aprendiam administração no próprio cargo, errando a um custo social imenso para a nação. Foi-se o tempo em que o mundo era simples e não havia necessidade de ter um curso de administração para ser um bom administrador. Em 2006, o candidato da oposição que demonstrar boa capacidade gerencial será um forte candidato à sucessão de Lula. João Paulo Cunha, do PT, já o alertou de que, "se houver um bom administrador, ele conquistará o eleitorado da periferia". Não quero exagerar a importância dos administradores, mas somente lembrar que eles são o elo que faltava. Ordem não gera progresso, estabilidade econômica não gera crescimento de forma espontânea, sempre há a necessidade de um catalisador. Não será uma transição fácil, pois as classes dominantes não aceitam dividir o poder que têm. Há muita gente interessada em manter essa bagunça e desorganização, como vivem denunciando Luiz Nassif, Arnaldo Jabor e José Simão. Gente que é contra supervisão, eficiência e organização. Administradores têm pouco espaço na imprensa para defender suas idéias e soluções. Em pleno século XXI, sou um dos raros administradores com uma coluna na grande imprensa brasileira, e mesmo assim mensal. Peter Drucker há quarenta anos tem uma coluna semanal em dezenas de jornais americanos, ele e mais trinta gurus da administração.

Administradores têm outra forma de encarar o mundo. Eles lutam para criar a riqueza que ainda não temos. Economistas e intelectuais lutam para distribuir a pouca riqueza que conseguimos criar, o que só tem gerado mais impostos e mais pobreza. Se esses 2 milhões de jovens administradores que vêm por aí ocuparem o espaço político que merecem, seremos finalmente um país bem administrado, com 500 anos de atraso. Desejo a todos coragem e boa sorte.

Por  Stephen Kanitz

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Mundo rico deve ter estagnação longa, dizem desenvolvimentistas

Os países desenvolvidos devem enfrentar um longo período de estagnação econômica, num cenário em que Estados Unidos e Europa deixam os estímulos fiscais em segundo plano, os salários não acompanham a evolução da produtividade e a política monetária pouco afeta a atividade.
 
Reunidos ontem num seminário na Fundação Getulio Vargas (FGV), economistas desenvolvimentistas traçaram esse diagnóstico para a economia global, considerando mais provável um quadro de vários anos de baixo crescimento do que uma ruptura como a que sucedeu a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. A era de preços de commodities nas alturas tende a ficar para trás, afetando o Brasil, grande exportador de produtos primários.

O economista Thomas Palley, do instituto de políticas públicas New America Foundation, vê o cenário de uma longa estagnação nos países desenvolvidos como o cenário mais provável. "No curso dessa estagnação, contudo, haverá mais recessões", afirmou, avaliando que acabou o tempo de recuperações rápidas dos países mais industrializados. Um dos motivos é a separação entre o crescimento dos salários e da produtividade, um fator crucial para estimular a demanda, que deixou de ser uma realidade no mundo desenvolvido a partir dos anos 80, quando, segundo ele, o receituário keynesiano foi abandonado.

O economista-chefe da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês), Heiner Flassbeck, também considera o divórcio entre os salários médios e a produtividade como um fator crucial para explicar a dificuldade do mundo desenvolvido em retomar o crescimento. É o que se passa nos EUA e no Japão, disse ele, destacando que salários em alta são fundamentais para impulsionar a demanda. Como Palley, Flassbeck participou ontem do primeiro dia do seminário "O novo desenvolvimentismo e uma nova macroeconomia do desenvolvimento", organizado pela Escola de Economia de São Paulo da FGV e pelo Centro Celso Furtado.

O economista Ricardo Carneiro, da Unicamp, também aposta num cenário de baixo crescimento por um longo período. Segundo ele, a digestão de uma crise financeira como a de 2008 costuma levar muito tempo para ser digerida, dado a necessidade de se reduzir o endividamento. A recuperação de crises desse tipo, disse Carneiro, é difícil mesmo quando se tomam as decisões corretas, o que não está longe de ocorrer nos EUA e na Europa. Com famílias endividadas e empresas sem investir, o impulso teria que vir do setor público, afirmou ele, mostrando ceticismo quanto a uma retomada do crescimento via exportações, já que essa estratégia não pode favorecer todos os países ao mesmo tempo.

Carneiro tampouco vê grande espaço para a ação da política monetária, com os juros próximos de zero no mundo desenvolvido. Caberia aos governos estimular a economia, caminho que não deve ser trilhado nem pelos EUA e nem pela Europa, pelo contrário.

O professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, também vê como imprescindível o uso da política fiscal neste momento, lamentando que o impasse político nos EUA tenha travado essa alternativa. As duas rodadas de afrouxamento quantitativo (a política do banco central americano de comprar títulos públicos e privados) tiveram pouco efeito sobre a demanda, segundo ele. Nesse cenário, o que se pode esperar é crescimento baixo no países ricos.

Esse cenário de estagnação não combina com preços de commodities elevados, o que terá impacto sobre o Brasil. Para Palley, aliás, os brasileiros têm se mostrado otimistas demais. O país, observou ele, depende muito das altas cotações de produtos primários, que devem sofrer num momento em que os países desenvolvidos, ainda 70% da economia global, tendem a ficar estagnados. Além disso, não está claro se a China conseguirá crescer ao ritmo dos últimos anos, já que o país exporta muito para os EUA e para a Europa e há o risco de ocorrer algum problema no sistema bancário chinês.
 

FONTE: Valor Econômico